domingo, 22 de novembro de 2015


AQUI D’EL REI…

Não há exagero da minha parte em afirmar que hoje em dia, a RTP/RDP é mera caixa de ressonância das posições das direitas, em particular do seu governo, num ataque cerrado à possibilidade de concretização de um governo do PS, apoiado pelo BE, PCP e PEV, isto é, sustentado na maioria parlamentar absoluta.

Na RTP é notória a parcialidade político-ideológica quer nos telejornais, como nos mais recentes programas, nomeadamente no 360º, no canal 8 ou RTP3, n’As Palavras e os Atos, na Grande Entrevista e também nos Prós e Contras, onde a promotora está sempre pronta para ir em apoio destes governantes em gestão, depois do chumbo do Parlamento.

Na RDP é também um fartote quotidiano de apoio ao status quo. Ontem foi entrevistado nesta estação de rádio, João Salgueiro, economista e banqueiro, afinado pelo mesmo diapasão ideológico. Ora bem, hoje durante os vários noticiários da manhã, foram transmitidos extractos dessa entrevista, incluindo no das 13 horas, prenunciando a transmissão integral após a conclusão deste ultimo. De resto, o entrevistado é claro no seu posicionamento contra a possibilidade de um governo legítimo de esquerda e nem titubeou ao preconizar a venda imediata do Novo Banco a qualquer preço… e eu acrescento… em benefício do capital privado.

Dentro desta deliberada atitude de protecção à direita está a escolha a dedo dos participantes nos debates, sejam eles/elas economistas/politólogos/comentadores, clones uns dos outros, apregoando os terríveis perigos que se avizinham com a esquerda a governar.

Vem a talhe de foice pôr a questão sobre a parcimoniosa escolha referida, sempre do mesmo sinal, salientando-se enfaticamente a presença de ex-governantes do PS, igualmente solidários com as políticas que conduziram à actual situação sócio-económico-financeira dos portugueses. Ora, depois da desonestidade intelectual dos governantes, com uso e abuso sistemático da mentira, da crítica soez, em particular, depois das eleições de 4 de Outubro nas quais a direita perdeu a maioria parlamentar absoluta que lhe permitiu cegamente impôr, durante 4 anos, todas as malfeitorias à maioria dos cidadãos e cidadãs, perdeu deputados, perdeu eleitorado, o PS, através do seu secretário geral António Costa, decidiu romper os acordos com o PPD (por coerência com a sua prática ultraliberal, já que de PSD nada tem) e CDS, em rutura com a prossecução das políticas de empobrecimento dos portugueses, de redução das prestações sociais, de destruição do SNS, de desinvestimento na escola publica, em benefício do sector privado, no desprezo pela cultura, pondo acima de tudo a protecção da minoria DDT.

Entretanto, o PS ao entabular conversações com a coligação PàF verificou estupefacto a arrogância dos seus representantes que pretendiam impôr a continuidade da sua política, como se não tivesse ocorrido a mudança substancial com as eleições em 4 de Outubro.

Nestas circunstâncias, o PS iniciou contactos com os outros partidos de esquerda, na procura de uma alternativa político.ideológica à da direita e, após laboriosas negociações com o beneplácito dos respectivos orgãos de cúpula, acordaram na sustentação de um governo, liderado pelo PS, para uma legislatura e, eventualmente, seguintes, legitimado pela maioria parlamentar absoluta, isto é, claramente sufragada pelos eleitores.

Perante a situação desenhada, caíu o Carmo e a Trindade, aqui d’el rei que aí vem a esquerda com o espírito cavernícula salazarento que se esperava ter sido banido, de vez, com o 25 de Abril de 1974. O desnorte, o desespero, o pavor, apossou-se de toda a direita e seus apaniguados, que de cabeça perdida, tiveram como ultima investida anti-democrática a defesa de uma revisão constitucional à la carte, insultando a maioria dos eleitores portugueses representados no Parlamento saído das eleições de 4 de Outubro, com o persistente e intenso apoio da direcção de informação da RTP/RTP.
Será que o pavor destemperado da direita está relacionado com algo escondido?

Neste momento, espera-se que, finalmente, o Presidente da Republica indigite como primeiro ministro o Dr. António Costa e que se entre em normalidade estatutária, com um governo de esquerda, para bem de todos os portugueses e de Portugal.

1 comentário:

  1. Excelente e lúcida apreciação da situação política presente. Felicitações, Jaime!
    C.M.S.

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