quarta-feira, 25 de novembro de 2015



O DESEMPREGO É UMA ABSTRACÇÃO ?……….
«O conceito de desemprego é abstracto», magister dixit a ilustre directora de um diário económico, hoje na Antena1, pouco antes das 9h00 que ali dá a sua opinião toda esta semana. Esta boutade surgiu quando considerou duvidosa a exequibilidade do programa do novo governo, sem se aumentar a despesa, realçando ao mesmo tempo o que de positivo fez a direita nos últimos 4 anos, e depois de confrontada com uma pergunta sobre o desemprego.
Segundo a senhora directora em causa, o desemprego tem vindo a diminuir pois os números do INE atestam-no, afirmação que tem sido repetida à saciedade pelo defunto governo e, mais uma vez, pelas dúzias de formatados pivôs e comentadores, todos afinados pelo mesmo diapasão.
Entretanto, «esquecem-se» de incluir o desempregados de longa duração e aqueles com idade acima dos 45 anos rejeitados pelos empregadores, e também não constam dos dados do INE todos os que frequentam «cursos de formação», em regra inúteis, considerados empregados, para além do emprego precário de dezenas de milhar, senão mais, não esquecendo as centenas de milhar de emigrantes, a maioria quadros superiores de grande qualidade, nos quais o país investiu e que vão enriquecer os países ricos, aliviando-se deste modo o desemprego estimado. Com base nisto, os sindicatos, particularmente a CGTP, e alguns analistas não alinhados, apontam para mais de 1 milhão de desempregados, isto é, o dobro dos apregoados pelo governo, isto é, o desemprego real é de cerca de 20%.
Que dirão os desempregados perante o conceito de desemprego daquela analista abstraccionista?
Espero que o novo governo desfaça a meada e faça chegar ao país o valor verdadeiro do desemprego em Portugal.


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