terça-feira, 25 de setembro de 2012

MUDAR É PRECISO

Ontem e hoje ouvi, incrédulo, as duas notícias que a seguir transcrevo:
A primeira diz respeito a uma intervenção do secretário-geral da UGT, João Proença, na qual aconselhava o governo a justificar adequadamente a redução parcial dos subsídios de Natal e de Férias, sob pena de ser considerada inconstitucional e, ao mesmo tempo, afirmou estar certo de que o governo irá restituir a quase totalidade dos subsídios retidos.
A segunda é a satisfação do secretário-geral do PS, António José Seguro, por o primeiro-ministro ter deixado cair a proposta de TSU que sobrecarregava em 7% os trabalhadores e beneficiava, na mesma proporção, os patrões.
No que se refere à primeira notícia é relevante a zelosa preocupação de João Proença ao dar conselhos ao governo, acrescidos da contribuição propagandística numa alegada, hipotética, não confirmada, restituição da quase totalidade dos subsídios retirados aos trabalhadores da função publica e pensionistas. É estranho este comportamento para o líder de uma organização sindical, mais parecendo tratar-se de uma entidade governamental ou talvez não, estará numa linha de coerência que deu cobertura às gravosas alterações à legislação laboral, na chamada concertação social, e com a qual o presidente da republica, o primeiro-ministro, os ministros das finanças, e da economia, o eurodeputado Nuno Melo e a troika, enchem tanto a boca para, despudoradamente, alegar que há paz social no país.
Relativamente à segunda notícia põe-se a questão: o único motivo de preocupação, de revoltam demonstrada nas grandes manifestações de 15 e 22 de Setembro p.p. e o profundo mal-estar existente na nossa sociedade era a TSU? Não, não foi nem é o único, foi e é sim toda a política, numa base ideológica ultraliberal, levada a cabo por este governo que conduziu ao empobrecimento galopante e à desesperança dos portugueses num futuro melhor. Esta manifestação de júbilo do secretário-geral do PS significará que o partido já não chumbará o orçamento para 2013 e caiu também a intenção de apresentar uma moção de censura ao governo? Esta possibilidade é muito preocupante mas espero, sinceramente, que não, pois que está à vista a manobra governamental e dos seus apaniguados de intensificar a desastrosa política contra quem trabalha, em favor das empresas, depois de um aparente e estratégico recuo com a TSU, cujos malefícios transitam para outras rubricas
Por último, a necessidade imperiosa de mudança política, da reconciliação nacional, carece da contribuição do PCP, do BE, do PS e dos muitos democratas certamente prontos para tal, PS que deverá assumir-se finalmente e de uma vez por todas como um partido de esquerda rejeitando, sem ambiguidades, a governação actual que tão mal tem feito ao povo de Portugal.

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