No passado dia 15 de Setembro, um «reduzido grupo» de 1.000.000 de portugueses, provavelmente muitos mais, saiu à rua em várias cidades do país, gritando com raiva contra as políticas do governo actual que os tem empobrecido aceleradamente, forçando muitos, que antes pertenciam à chamada classe média, para o recurso à sopa dos pobres. O desemprego galopante, que já terá atingido perto dos 20% dos portugueses no activo e continua a crescer, dos quais cerca de 35% são jovens, muitos deles licenciados, é um flagelo indesmentível que tem destroçado famílias o que conduz à sua insegurança interna e da sociedade nacional.
Recordo, a propósito, que o senhor primeiro-ministro, numa das suas desgraçadas intervenções públicas (o que dirá ele em privado?), afirmou que o desemprego é uma oportunidade de vida e, entretanto, incentivou os portugueses à emigração. Em reforço do aprofundamento ideológico ultraliberal, dele e seus comparsas, sempre contra os trabalhadores e a favor do patronato, alterou nesse sentido a legislação laboral, reduziu os salários, sonegou os 13º e 14º meses de ordenado dos funcionários públicos e pensionistas, em oposição arrogante ao parecer do Tribunal Constitucional, e outras medidas mais ou menos gravosas para a maioria, culminando com a proposta de TSU que agrava os impostos de quem trabalha em 7% e reduz, na mesma percentagem, a carga fiscal das empresas, proposta que, perante tal enormidade ofensiva, foi liminarmente rejeitada pelos representantes das confederações patronais e postas em causa pelo parceiro da coligação, o CD S.
O evidente mal-estar neste governo de direita, espoletado oportunísticamente pelo líder do CD S, é um sintoma inequívoco da fragilidade da coligação e revela, contradizendo as afirmações de circunstância, que para o CD S os interesses do partido e sobretudo do seu presidente, estão acima dos do país.
Incentivados pelo presidente Cavaco lá se reuniram ontem os representantes dos dois partidos, sem os respectivos chefes, e deram à luz um extenso comunicado em duas páginas, pré-cozinhado, pois o tempo de reunião e o número de participantes (10, 11) não o permitiria de outro modo.
Com base naquele comunicado surgiu intempestivamente, porque antes da reunião do Conselho de Estado, o presidente Cavaco anunciando que a tranquilidade regressou, está tudo em ordem, os portugueses podem dormir descansados!!!! Este homenzinho continua, como era de esperar, a ter intervenção despropositada e néscia, demonstrando uma vez mais que a sua eleição foi um lamentável equívoco.
Tudo aquilo que se viu e ouviu nas manifestações de 15/9 que não se limitou à repulsa pela desejada TSU do primeiro-ministro e do ministro das finanças, ao contrário do que muitos apoiantes claros ou sub-reptícios do governo, querem fazer crer, mas sim à globalidade das políticas desastrosas impostas.
Para Cavaco nada se passou de significativo no dia 15 de Setembro, vira o disco e toca a banda….
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