Uma das frases feitas, brandidas pelos opinadores de serviço e pelos representantes dos partidos do sistema, é que, hoje em dia, não faz sentido falar em esquerda e direita, conceitos e práticas que teriam caído em desuso pelo «evoluir» da sociedade onde a direita e a esquerda se confundem e propugnam objectivos idênticos. Por outro lado e na mesma perspectiva, se diz que deixou de haver luta de classes, Marx nunca teve nem tem razão, e só os fósseis da política continuam a insistir na sua persistência, preconizando a defesa dos interêsses de classe.
Luta de classes para o sistema, reporta-se exclusivamente às «excessivas» reivindicações dos trabalhadores pelas suas organizações representativas, esquecendo «ingénua» e paradoxalmente as outras classes da sociedade e seus interesses divergentes, dos daqueles, frequentemente antagónicos.
Presentemente, com uma clara maioria de direita dirigindo o país, é ainda mais evidente, quotidianamente, aquela falácia, embora já na situação política anterior às últimas eleições legislativas se sustentasse práticas com o mesmo sentido, embora sob uma capa de esquerda imperceptível.
Contudo, os conflitos de classe surgem nas mais diversas situações, particularmente quando os grandes «empreendedores» (hoje diz-se que deixou de haver patrões…) defendem encarniçadamente os seus interesses, tanto nas chamadas reuniões de concertação social como a propósito de qualquer luta laboral, não tendo rebuço em apregoar a necessidade «vital» de se reduzir as prestações sociais, os salários e os outros direitos dos trabalhadores. E a propósito, o governo e a maioria que o sustenta, proclamam farisaicamente a intenção de atenuar as desigualdades sociais e defender os mais desprotegidos, ao mesmo tempo que diminuem as comparticipações sociais, aumentam os impostos, reduzem significativamente os direitos dos trabalhadores (verbi gratiae, a facilitação dos despedimentos, a menor compensação pela perda compulsiva do emprego, etc., etc.) em benefício dos «emprendedores» que não constituem uma classe……..
Perante situações como estas, não têm os trabalhadores por conta de outrem, sejam eles quais forem, o direito e o dever de lutar pelos seus interesses ???
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