sexta-feira, 2 de novembro de 2018


«TUDO O QUE TENHA OLHOS E ALMA, EU NÃO COMO….»

Este é a grande manchete do Jornal I do dia santo, segundo a Igreja Católica, 1 de Novembro de 2018, a propósito da comemoração do Dia Mundial do Veganismo.

Embora já tenha ouvido falar no veganismo, nomeadamente por um amigo meu que tem netos que o praticam, procurei no Novo Dicicionário da Lingua Portuguesa da Texto Editores, Lda., de 2007, conforme ao Acordo Ortográfico de 1990 que eu rejeito, a definição de Veganismo e, nele, nada consta.

Na wikipedia, encontrei a seguinte a sua definição:

Veganismo é um movimento a respeito dos direitos animais. Por razões éticas, os veganos são contra a exploração dos animais e tudo o que está ao seu alcance e que envolva sofrimento animal, é retirado da sua rotina diária. boicote a atividades e produtos que são contra os direitos dos animais é uma das principais acções praticadas por quem adere ao movimento.

Utilizei aquela manchete do Jornal I como título deste meu comentário, na qual o veganismo rejeita o consumo de tudo aquilo que tem olhos e alma….

A meu ver, o veganismo, na prática, é uma forma extrema, absoluta, do vegetarianismo o que me permite classificá-lo como fundamentalismo.

Inicialmente aplicava-se a expressão fundamentalismo a situações de teocracia, a um conjunto de principios fundamentais, de natureza religiosa tradicionais e ortodoxos, mas ela é hoje alargada a situações de outra natureza, quer as relacionadas com política quer com o comportamento extremista perante a sociedade, pondo em causa conceitos, principios e valores fundamentais

Por mera questão de distinção simples dos fundamentalismos que concitam elevado numero de fervorosos adeptos, adoptemos a escala de 1 a 10 para lhes atribuir a minha classificação pessoal, tendo em conta o seu impacte negativo na sociedade humana, embora sem a pretensão de querer doutrinar sobre o tema, pelas minhas pessoais limitações.

Assim, com o valor máximo impactante, isto é, 10, está a meu ver a irresponsabilidade fundamentalista da rejeição da aplicação de vacinas, de consequências muito graves na saúde pública, pelo que a considero uma actividade criminosa.

No extremo oposto, com reduzido impacte negativo de 1 ponto, relevo o fundamentalismo pelo insólito, da polémica causada por um professor universitário, Daniel Cardoso, se não estou em êrro, no programa da RTP1, Prós e Contras que considerou «uma violência da liberdade dos netos ao terem que beijar os avós».
Relativamente ao veganismo, ao qual atribuo 5 pontos, considero-o fundamentalismo pelo extremismo a que arrasta pessoas para a defesa da generalização de um regime alimentar desigual e insuficiente para uma saúde equilibrada e, a ele associado, a defesa obcessiva do bem estar animal com a secundarização do bem estar humano.

Como veterinário, sempre senti a obrigação profissional e ética de velar pela saúde animal onde se inclui o seu bem estar. A minha formação académica e a dos meus colegas, sustenta a qualidade de vida dos animais e, por consequência, dos humanos, quer na produção das várias espécies destinadas ao seu consumo, como na vigilância sanitária dos animais de companhia e na protecção da saúde pública, duas vertentes essenciais, criadas e melhoradas pelo homem.

O veganismo é uma forma de fundamentalismo que tem implícita a abolição da produção animal, com todas as incalculáveis consequências sociais, económicas, ambientais, de saúde pública e de bem estar das populações.

Com o veganismo não se confundem as várias organizações e pessoas que se reclamam da protecção dos animais, umas mais tolerantes do que outras que têm conseguido reduzir os maus tratos aos animais.

Admita-se que, na visão radical do veganismo, a partir de amanhã, seria imposta a proibição total da aquacultura, da avicultura, da pecuária e toda a gente teria que se alimentar exclusivamente de vegetais, cuja produção mundial actual é insuficiente para a população humana e animal do planeta.

Nesta perspectiva, também não estará fora de causa a defesa do bem estar dos animais selvagens, incluíndo os venenosos, não bastando a intenção de proibir a caça.

Entretanto, a actual produção mundial de animais é de milhares de milhões, aquáticos e terrestres, a maioria vegetarianos ou omnívoros, que passariam a ter o mesmo direito ao seu bem estar que os humanos que, inevitavelmente, teriam de partilhar os mesmo espaços entre si.

Por fim, entrando no domínio da especulação gratuita, o veganismo talvez um dia venha a acrescentar ao seu fundamentalismo, o bem estar das plantas considerando-as seres vivos sensíveis, em detrimento do bem estar humano.

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