TEORIA DA CONSPIRAÇÃO? NÃO,
A CONSPIRAÇÃO PROPRIAMENTE DITA
Anteontem ao ler um
artigo no DN do prof. José Manuel Pureza, dirigente do BE, fiz o comentário
seguinte:
Com todo o apoio da comunicação social ao longo de
vários anos, antes e depois de 2015, o BE canta de galo, dando a ideia de que
está no centro da política nacional e à volta há o vazio, um pouco como o
eucalipto. Ainda hoje na Convenção em curso, numa sala meia cheia ou meia
vazia, foi evidente a euforia dos seus dirigentes que levou-os a dizer que
querem mais e vir a entrar no governo. Uma pergunta não impertinente:
ideológicamente o que é o BE?
Ontem, na sequência do
vasto noticiário sobre a Convenção do BE, de onde destaquei e comentei o do DN,
Então o BE considera-se o dono da «geringonça»,
foi sua (?) a ideia do acordo de esquerda que Paulo Portas quiz menorizar e
perdeu como um flato. Para o BE sem ele não há «geringonça» ... A desfaçatez, a
irresponsabilidade, do esquerdismo, sempre em bicos de pés a fazerem-se a
ministros, certamente na onda do vereador Robles, apelido famoso na guerra
colonial.
O auto-convencimento é de tal dimensão que os dirigentes do BE se
esqueceram de que coube a Jerónimo de Sousa, secretário Geral do PCP,
manifestar a disponibilidade do seu partido para uma convergência política à
esquerda, para apoio a um governo do PS. Lembro de que o Prof. Eduardo
Lourenço, a propósito, considerou esta abertura do PCP, um verdadeiro milagre.
Entretanto, creio que nenhum dos jornalistas (desculpem-me se isto não
corresponde inteiramente à verdade) que entrevistou os dirigentes do BE, lhes
chamou à atenção para a verdade dos factos.
Não se tem posto em causa a proveniência
político-ideológica do BE e tão pouco qual a sua opção actual. Diz-se que se trata de um partido de esquerda, aparentemente sem ideologia.
Agora retomo a afirmação que fiz no primeiro comentário de que o BE sempre
beneficiou do apoio dos media nacionais e assim continua inequivocamente a meu ver. É uma realidade que
o BE, um partido novo, é dirigido por gente jovem, utilizando vocabulário agressivo que atrai jovens e menos jovens que tem
crescido claramente, embora seja um partido sem programa que se apropria
oportunisticamente de reivindicações e polémicas, por vezes convergentes com a
direita.
O BE tem crescido em detrimento de que partidos, essencialmente de esquerda,
embora por vezes se não afaste da direita? Assim, com a sua representatividade
significativa desde a fundação, com a agregação de vários partidos de extrema
esquerda, trotsquistas, maoistas e outros, e depois em eleições, verifica-se um
aumento da sua influência, à custa do PCP e do PS. Se no PS a quebra de
eleitorado em favor do BE é mínima, quanto ao PCP é indiscutível, pois está
expressa no número de deputados na AR que o transformou na 4ª força parlamentar,
atrás do BE.
Assim, volto à afirmação sobre o apoio constante dos media nacionais ao BE,
ao mesmo tempo que o PCP, um partido que tem sempre um programa estruturado, é
não só votado ao ostracismo, mas também tudo serve para o atacar, nomeadamente
por se manter, ortodoxo (dizem) em termos político-ideológicos, por não se
distanciar da Rússia, da Coreia do Norte, da Venezuela e da Síria de Assad e
por denunciar, sem equívocos, os malefícios
do liberalismo e a sujeição de Portugal aos ditames da União Europeia,
dirigida pelo PPE.
Entretanto, se a perseguição a que tem sido submetido o PCP é uma realidade
quotidiana de peso, o partido também tem contribuido para alguma perda de
influência junto das portuguesas e dos portugueses, por não se preocupar com a
actualização da comunicação com elas e eles, mantendo clichés esgotados que
afastam as pessoas, afastamento para o qual contribui activamente a querra que lhe é movida permanentemente.
Por fim, reitero a opinião expressa no título deste comentário, isto é, já
não se trata da teoria da conspiração, mas sim de uma actuante conspiração de
que beneficia o Bloco de Esquerda e a direita que o tolera, por razões óbvias.
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