domingo, 11 de novembro de 2018




TEORIA DA CONSPIRAÇÃO? NÃO,

A CONSPIRAÇÃO PROPRIAMENTE DITA



Anteontem ao ler um artigo no DN do prof. José Manuel Pureza, dirigente do BE, fiz o comentário seguinte:

Com todo o apoio da comunicação social ao longo de vários anos, antes e depois de 2015, o BE canta de galo, dando a ideia de que está no centro da política nacional e à volta há o vazio, um pouco como o eucalipto. Ainda hoje na Convenção em curso, numa sala meia cheia ou meia vazia, foi evidente a euforia dos seus dirigentes que levou-os a dizer que querem mais e vir a entrar no governo. Uma pergunta não impertinente: ideológicamente o que é o BE?



Ontem, na sequência do vasto noticiário sobre a Convenção do BE, de onde destaquei e comentei o do DN,  

Então o BE considera-se o dono da «geringonça», foi sua (?) a ideia do acordo de esquerda que Paulo Portas quiz menorizar e perdeu como um flato. Para o BE sem ele não há «geringonça» ... A desfaçatez, a irresponsabilidade, do esquerdismo, sempre em bicos de pés a fazerem-se a ministros, certamente na onda do vereador Robles, apelido famoso na guerra colonial.



O auto-convencimento é de tal dimensão que os dirigentes do BE se esqueceram de que coube a Jerónimo de Sousa, secretário Geral do PCP, manifestar a disponibilidade do seu partido para uma convergência política à esquerda, para apoio a um governo do PS. Lembro de que o Prof. Eduardo Lourenço, a propósito, considerou esta abertura do PCP, um verdadeiro milagre.

Entretanto, creio que nenhum dos jornalistas (desculpem-me se isto não corresponde inteiramente à verdade) que entrevistou os dirigentes do BE, lhes chamou à atenção para a verdade dos factos.

Não se tem posto em causa a proveniência político-ideológica do BE e tão pouco qual a sua opção actual. Diz-se que se trata de um partido de esquerda, aparentemente sem ideologia.

Agora retomo a afirmação que fiz no primeiro comentário de que o BE sempre beneficiou do apoio dos media nacionais e assim continua  inequivocamente a meu ver. É uma realidade que o BE, um partido novo, é dirigido por gente jovem, utilizando vocabulário agressivo  que atrai jovens e menos jovens que tem crescido claramente, embora seja um partido sem programa que se apropria oportunisticamente de reivindicações e polémicas, por vezes convergentes com a direita.

O BE tem crescido em detrimento de que partidos, essencialmente de esquerda, embora por vezes se não afaste da direita? Assim, com a sua representatividade significativa desde a fundação, com a agregação de vários partidos de extrema esquerda, trotsquistas, maoistas e outros, e depois em eleições, verifica-se um aumento da sua influência, à custa do PCP e do PS. Se no PS a quebra de eleitorado em favor do BE é mínima, quanto ao PCP é indiscutível, pois está expressa no número de deputados na AR que o transformou na 4ª força parlamentar, atrás do BE.

Assim, volto à afirmação sobre o apoio constante dos media nacionais ao BE, ao mesmo tempo que o PCP, um partido que tem sempre um programa estruturado, é não só votado ao ostracismo, mas também tudo serve para o atacar, nomeadamente por se manter, ortodoxo (dizem) em termos político-ideológicos, por não se distanciar da Rússia, da Coreia do Norte, da Venezuela e da Síria de Assad e por denunciar, sem equívocos, os malefícios  do liberalismo e a sujeição de Portugal aos ditames da União Europeia, dirigida pelo PPE.

Entretanto, se a perseguição a que tem sido submetido o PCP é uma realidade quotidiana de peso, o partido também tem contribuido para alguma perda de influência junto das portuguesas e dos portugueses, por não se preocupar com a actualização da comunicação com elas e eles, mantendo clichés esgotados que afastam as pessoas, afastamento para o qual contribui activamente a querra que lhe é movida permanentemente.

Por fim, reitero a opinião expressa no título deste comentário, isto é, já não se trata da teoria da conspiração, mas sim de uma actuante conspiração de que beneficia o Bloco de Esquerda e a direita que o tolera, por razões óbvias.




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