CRONICAS
ICTIOVET 6
A
realidade com a verdade acaba sempre por vir ao de cima. De facto, quase dois
meses depois da eleições de 4 de Outubro, vem aflorando a herança da governação
dos ultimos 4 anos, cuja ultima consequência é a confusa resolução do caso
BANIF. Assim, porque continuam os velhos do Restelo a pôr em causa o programa
do novo governo e a enaltecer as virtudes do anterior, justifica-se trazer à
colação a situação herdada.
Definido
o propósito convém, antes de mais, abordar as razões ideológicas que estiveram
na gènese da política seguida até Outubro p.p. A ideologia de direita não é
homogénea, já que há que distinguir aquela que é democrática, como é a Democracia
Cristã (embora discorde da conotação religiosa de qualquer organização
partidária), porque a DC tem, nos seus principios e actuação, preocupações
sociais e de bem estar dos povos, abandonadas senão banidas, pelos liberais,
particularmente os extremistas, a meu ver, tornando a sua prática antidemocrática.
Embora
o PP de PPortas se arrogue de partido democrata cristão, não o é, pois na sua
prática política e governativa desprezou todas e quaisquer preocupações
sociais, bem expressas na actividade do «seu» ministério da segurança social,
liderado por Mota Soares, cujas decisões negativas (drástica restrição das
prestações sociais) afectaram sobretudo os mais necessitados o que foi
recentemente divulgado por várias entidades nacionais e europeias. Recorde-se
que o PP, através de PP anunciou-se, antes das eleições de 2011, como o partido
dos contribuintes, dos reformados e pensionistas, além das feiras para, depois
da eleição, fazer exactamente o contrário do prometido, prejudicando-os em toda
a linha. A potenciar este deplorável comportamento, deu-se a cena do
irrevogável, tornado revogável horas depois, tendo como recompensa o cargo de
vice primeiro ministro, numa cabal demonstração de, pelo menos, falta de
seriedade.
Os
dirigentes do outro partido da coligação, o PPD, continuam a intitular-se
sociais democratas quando na realidade, pela sua orientação política, não o são
e já era tempo de se retratarem, deixando-se de hipocrisías, assumindo que são
liberais embora, com tal clarificação, possa acontecer a debandada daqueles que
se consideram sociais democratas.
Ora
da alquimia entre estes dois partidos de direita radical que não são o que se
dizem ser, bem antes pelo contrário, a sua governação teria que resultar numa
calamidade para maioria dos portugueses, apesar da propaganda tentar incutir a
ideia de que tudo ficou bem, pois a país estaria muito melhor.
Vejamos
então algumas consequências das políticas da PàF, que foram o resultado da
preocupação permanente em reduzir o Estado ao mínimo, isto é, com funções meramente de fiscalização, em
paralelo com a aposta crescente no privado para preenchimento de todas as
atribuições da administração publica:
- Em detrimento do Serviço Nacional de Saúde foram privilegiadas as instituições de saúde privadas que proliferaram como cogumelos, sustentadas pelo Estado, directamente ou através de convénios com os sistemas de saúde sectoriais, como a ADSE, as quais cobram taxas inferiores às do SNS; a violente redução do numero de profissionais e da capacidade dos hospitais públicos que esteve na origem das longas esperas na urgências e nas consultas de especialidade e das recentes mortes por falta de assistência médica especializada; a muito baixa remuneração dos profissionais, médicos e enfermeiros, em muitos casos contratados por empresas de serviços e por elas pagos à hora (em certos casos inferior ao montante pago às empregadas domésticas), obrigando-os a emigrarem ou a mudarem-se para as instituições privadas onde auferem melhores salários e outros benefícios; a administrativa concentração de hospitais apenas para diminuição de custos, de que não resultou melhor assistência aos cidadãos; a falta de aposta nos cuidados de saúde primários, que poderiam aliviar as urgências dos hospitais e prestar melhor acolhimento aos utentes do SNS, ao mesmo tempo que foram restringidas as valências disponíveis nos centros de saúde.
- Na educação, os resultados estão à vista depois do corte dos orçamentos das escolas e do despedimento de milhares de professores, enquanto que dos restantes muitos foram e são colocados em escolas diferentes todos os anos, longe do seu local de habitação, obrigando-os ao aluguer de novas casas, outros ainda estão sem horários atribuidos, situações que afectam material e psicológicamente estes docentes, seus familiares e seus alunos. Por outro lado, no ensino especial e no artístico é dramática a carência de professores e de meios financeiros pelo acentuado corte de verbas pois o objectivo primordial do governo era a redução cega de custos.
- Na cultura e investigação aplica-se também o atrás referido para a educação, quere em termos de diminuição de efectivos, como de verbas atribuidas a bolseiros e a projectos de investigação, sujeitos a critérios nebulosos da respetiva entidade controladora, situação agravada pela secundarização destas duas actividades fundamentais num país que se quere desenvolvido e chegou a lutar por isso em governos anteriores, desde o ministro Mariano Gago, ao contrário da PàF que fez tábua rasa destes objectivos fundamentais. Esta lamentável política conduziu ao marasmo, senão mesmo à paralisia, de muitos institutos do estado que haviam grangeado grande prestígio no país e no estrangeiro, como é o caso do «meu instituto», Instituto de Investigação das Pescas, hoje baptizado de IPMA, Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
- A preocupação em instaurar o Estado mínimo e a «perseguição» feita aos funcionários publicos (na propaganda, os causadores de todos os males), cuja desvinculação de milhares foi incentivada e transformou os organismos do Estado em meros balcões de atendimento pouco eficiente, com pessoal desmotivado, sem progressão nas carreiras e com os salários congelados há anos. Refira-se, a propósito, que este governo criou um organismo de fachada destinado à promoção e avaliação de concursos publicos de admissão de quadros na Função Publica que não impediu a entrada de magotes de dirigentes, sem concurso publico, muitos jovens recém licenciados, prioritários por serem afectos aos dois partidos da coligação o que contribuiu para reforço da desmotivação já referida. O recrutamento de boys é bem patente nas assessorias dos ministros, secretarios de estado e directores gerais, cujo futuro poderá ser a entrada automática na Função Publica, ultrapassando os «tarimbeiros», se não fôr sustida a avalanche.
- Um outro aspecto relevante, também ligado à intenção de impôr o Estado mínimo, foi a privatização injustificada de quase todo o património estatal, em prejuízo dos portugueses e só não privatizaram a Casa da Moeda porque o euro é emitido pelo BCE…Ainda ontem, a bem do país, ouvi e vi o primeiro ministro António Costa afirmar que 51% da TAP serão propriedade do Estado Português.
- Concluindo, aguardemos as revelações a surgir das averiguações em curso.
ÁS VEZES TENS TEMAS COM OS QUAIS CONCORDO,MAS DESTA VEZ NÃO SUBSCREVO NENHUM.QUANTO À tap ,CASO CONSIGAM REVERTER O NEGÓCIO,GOSTAVA DE SABER O QUE FAZEM A SEGUIR COM A CRIANÇA AO COLO...
ResponderEliminarAbraço e BOM ANO
Zé Manel
EliminarNenhum? Consideras injustificados e/ou sem interêsse, os casos que levantei? Agradeço-te que me digas o que rejeitas e eu darei o braço a torcer se errei ou manipulei.
Sobre a TAP se não viste um programa da TVI24, ontem cerca das 21h30, com o Pedro Pinto, pivô da TVI, o António Pedro de Vasconcelos, cineasta, o António Costa, economista e director dos Jornal de Negócios, um outro economista cujo nome não fixei, sugiro-te que o vejas pois este tema foi exaustivamente tratado. Isto ainda vai fazer correr muita tinta e os tribunais terão que pronunciar-se. De qualquer modo a criança já está no nosso colo mas, a meu ver, é preferível que a TAP continue a ser portuguesa, não saia de Portugal, sirva a lusofonia ea cultura lusa o que não aconteceria se o brasileiro/estadudinense Nylman ficasse com a maioria do capital, já que o Pedrosa dono da Barraqueiro é apenas o testa de ferro daquele. Entretanto, repito vê aquele programa, logo possas.
Um abraço
Jaime
Vi esse programa e vi um A:P:VASCONCELOSa fazer afirmações sem nexo e o economista a fazer-lhe ver a verdade.Aliás o APV só se meteu nisto para ter um pouco de protagonismo,já que de outra maneira não o terá.
EliminarAbraço
Deves ter visto outro programa. Que tenhas tido Boas Festas e,sobretudo, tenhas um 2016 repleto de boas coisas e de saúde.
EliminarUm abraço