quarta-feira, 2 de dezembro de 2015


CRONICAS ICTIOVET 2

Eduardo Lourenço, prestigiado professor, ensaísta e escritor, reconhecido sobretudo no estrangeiro, particularmente em França onde se exilou durante o fascismo salazarento e onde lecciona há décadas, ex-militante do PCP do qual se desvinculou, afirmou há dias que «foi um golpe de génio de Jerónimo de Sousa, secretário geral do PCP, que permitiu o acordo das esquerdas» ao afirmar que o PS só não formaria governo se não quizesse, objectivo já concretizado com a posse do governo PS, com apoio parlamentar de maioria absoluta.

Também Ana Catarina Mendes, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, elemento activo nas conversações com o PCP, BE e PEV, declarou-se muito agradavelmente surpreendida com a total abertura e flexibilidade demonstradas pelos comunistas para viabilizar um governo da esquerda e sem exigência da sua particicipação nele.

Outros dirigentes e membros proeminentes do PS como Carlos César, presidente do partido e do grupo parlamentar, Pedro Nuno Santos, João Galamba, João Soares, Jorge Lacão, Isabel Moreira, Capoulas Santos e tantos, tantos outros, apoiaram a iniciativa de António Costa de entabular conversações com os outros partidos de esquerda, sem quaisquer preconceitos, na sequência da abertura claramente manifestada por Jerónimo de Sousa, na busca de uma alternativa política progressista. De resto, foi maciço o apoio do secretariado e da comissão nacional do PS, àquela opção corajosamente assumida pelo secretário geral.

Igualmente verdade é a excitada rejeição liminar destes entendimentos por Francisco Assis e Pedro Pinto e, embora eu não esteja certo, de José Lello, bem como de Vital Moreira e António Barreto.

Ao fim de anos e anos de ostracismo, iniciado no salazarismo e depois do 25 de Novembro de 1975 até ao dia 4 de Outubro p.p., de um partido que afinal quase toda a gente respeita, embora haja quem não goste, caíu esse muro e o PCP passou a contar para o tal arco da governação, um gueto considerado até agora propriedade privada da direita que condescendia com a presença do PS desde que com ela alinhasse ideológicamente.

Amigas(os) é caso para se dizer: assim se acaba por aceitar a força do PC, um partido com grande implantação popular que Cavaco Silva ignorou sempre, desde a constituição do Conselho de Estado até ontem, tal como se «esqueceu» sempre do BE e do PEV, partidos que, no seu conjunto,  representam mais de 20% do eleitorado português.




Sem comentários:

Enviar um comentário