sábado, 22 de setembro de 2018

INFARMED IS FAR FROM PORTO
Acabo de ouver a notícia de que o governo decidiu anular a transferência do INFARMED de Lisboa para o Porto. Ainda bem que a razão e o bom senso prevaleceram, anulando-se uma decisão absurda que correspondia a um frete político inadmissível, pondo em causa o interêsse nacional e o prestígio internacional que esta instituição granjeou o que, a meu ver, terá inviabilizado a instalação em Portugal, concretamente no Porto, da Autoridade Europeia do Medicamento..
As primeiras reacções, umas são favoráveis à decisão e outras desfavoráveis, como seria de esperar. Contudo, é miserável que haja quem queira transformar este assunto em mais uma guerra Lisboa/Porto ou Norte/Sul, conflitos esses que têm servido para acicatar e cultivar um certo ódio irracional, sobretudo nos futebóis, mas não só, o que abrange quase todos os portugueses, ao classificar, com intuito depreciativo, de mouros as gentes do sul do país.
O INFARMED, Instituto da Farmácia e do Medicamento, é uma instituição de grande dimensão nacional e internacional, dotada de pesada infraestrutura laboratorial muito diversificada, com pessoal altamente qualificado em toda a pirâmide organizacional, o que implicou um colossal financiamento. Qualquer medicamento a utilizar em medicina humana como em medicina veterinária, é obrigatoriamente testado neste Instituto, para avaliação de todas as implicações para a saúde pública e meio ambiente e, só depois desses testes, poderá ser autorizada a sua entrada no mercado nacional e de outros países.
Não estão em causa a capacidade e as condições excepcionais que o Porto tem, com instituições de muito elevado nível científico e educacional no país e internacionalmente e não seria um infarmed que acrescentaria mais ao alto gabarito da cidade e da região, reconhecido por todos.
A eventual trasladação do INFARMED de Lisboa para o Porto implicaria um gigantesco financiamento para a duplicação das infraestruturas e recursos humanos, um impacte psicológico e social de consequências incomensuráveis nos cerca de 400 trabalhadores e respectivas famílias e, não menos significativo, do ponto de vista social e económico nos locais onde está instalado.
Quando alguém pensou, com intenções essencialmente eleitoralistas, numa intempestiva mudança, esqueceu-se de consultar previamente os trabalhadores e pessoal dirigente que não são mera mercadoria para encher vagões ou camiões-tir e, por outro lado, o INFARMED não é uma pequena fabriqueta que se implante num vão de escada.

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