DITADORES BONS E DITADORES MAUS
Creio que constitui consenso generalizado que todos os ditadores devem ser condenados e tudo se deve fazer para o seu afastamento, em nome da defesa dos direitos humanos. De facto, ditador é sinónimo de tirano, de opressor do seu povo, mais ou menos violento, mas sempre responsável por todas a espécie de sevícias, desde a perseguição, prisão e condenação por delito de consciência, à tortura psicológica e física ao assassínio, quer individual como de massas, estes conducentes ao genocídio.
São tristemente célebres os exemplos anti-exemplares de Pinochet, Trujillo, Somoza, Ceocescu, Idi-Amin, Xá da Pérsia, Suharto, Baptista, Mobutu, Kim il Sung e, lamentavelmente, muitos outros, não esquecendo Salazar que, durante quase meio século, oprimiu os portugueses e os povos colonizados.
Ao longo do séc. XX e do actual têm vindo a desaparecer as ditaduras mais ferozes e sanguinárias, particularmente na América Latina e África, mas também na Ásia e na Europa e as que ainda subsistem têm os dias contados. Esta penosa libertação dos respectivos povos tem-se devido à tomada progressiva de consciência dos seus direitos, à pressão internacional e, não menos significante, o poder dos media, embora com a resistência dos interesses instalados dos donos do planeta que criaram e alimentaram durante décadas regimes ditatoriais.
Entretanto, tem-se tornado evidente e até escabrosa a dualidade de critérios na avaliação dos ditadores, uns são «bons». senão óptimos e, por isso, dignos de protecção e encobrimento, e outros são maus, irrecuperáveis, génios do mal, mesmo que, em certos casos, a definição de ditador seja discutível, sendo mesmo repudiada pelos povos respectivos.
Alguns exemplos de «bons ditadores» são Ben Ali da Tunísia, Mubarak do Egipto, os generais da Myiamar (ex-Birmânia), os coronéis da Grécia e do Brasil, Suharto da Indonésia, Saddam Hussein I do Iraque, etc.
Nos maus incluem-se, de novo, Saddam Hussein II do Iraque antes um bom ditador, um amigo, apadrinhado quando cometeu genocídio, Kaddafi da Líbia, Milosevic da Jugoslávia, Castros de Cuba, Chávez da Venezuela, José Eduardo Santos de Angola, Bashir el Assad da Síria.
Recordemos os casos de Ben Ali e Mubarak que foram expulsos do pelos povos respectivos, fartos do abuso de poder, da corrupção e do nepotismo, erupções que viriam a repercutir-se no Marrocos, na Líbia, na Síria e também na Argélia. Naqueles dois casos, cujos regimes caíram de podres, os guardiães do ocidente primeiro hesitaram no reconhecimento da nova situação porque eles eram bons ditadores e, posteriormente, não tiveram outro remédio senão aceitar e até louvar a mudança.
Ainda outro aspecto relevante e sintomático de dualidade é a «vista grossa» daqueles guardiães para com os generais de Myiamar que continuam intocáveis, apesar da repressão que exercem, tal como em tempos aconteceu com os coronéis da Argentina, da Grécia e do Brasil, Suharto da Indonésia, Mobutu do Zaire, Baptista de Cuba, etc., etc.
Por outro lado, o «poder do bem», através das suas armas convencionais (até quando?) de destruição maciça, caiu sobre a Jugoslávia, sobre o Iraque de Saddam Hussein II e, mais recentemente, sobre a Líbia, actuação «plenamente justificada» para a defesa dos interesses de quem manda…..
Quanto a outros «maus», como os Castros, Hugo Chávez, e José Eduardo, por muitos problemas que subsistam nos seus países, perguntem aos povos respectivos se aceitam o epíteto de ditadores para os seus Chefes de Estado, resposta que inequivocamente têm dado em eleições livres e justas.
É tempo de pôr fim à inqualificável dualidade de critérios e de expurgar todo o tipo de manobras sujas.
Quem sabe um bom ditador não aparece no brasil para por ordem nessa espelunca
ResponderEliminar