quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PASSOS COELHO ADMITE RECANDIDATAR-SE

Obviamente que sim e com todas as possibilidades de ser reeleito pelos portugueses anestesiados, depois da esplendorosa governação sob a sua liderança. Que importa que o desemprego tenha atingido os 15%, pese embora o facto de apenas se ter em conta os inscritos nos Centros de Emprego (quantos serão os não inscritos?)? Que importa que entre eles os jovens sejam mais de 35%? Que importa que todos os dias fechem as portas inúmeras empresas e tão pouco importa que muitas das «falências» estejam facilitadas por este o governo? Que importa a nova legislação laboral que reduziu os direitos dos trabalhadores e ampliou o poder discriminatório do patronato? Que importa o esbulho dos 13º e 14º meses dos salários dos funcionários públicos e pensionistas, mesmo depois do Trbunal Constitucional considerar tal supressão inconstitucional? Que importa a degradação das condições de vida e o empobrecimento da maioria dos portugueses, muitos dos quais já recorrem à sopa dos pobres, a par do contínuo enriquecimento de uma minoria, cujas mais-valias não são taxadas ou fogem para os paraísos fiscais? Que importa que as previsões apontem para um agravamento da situação?
De facto, é evidente que Passos Coelho tem todas as condições para se recandidatar, continuando a responsabilizar Sócrates por todos os males do país, omitindo para os incautos (e eles são, tristemente, muitos) que a sua política é igual à do seu antecessor, pois, com a sua chegada ao poder, apenas mudou o partido maioritário.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O PROVINCIANO

Remeti-me ao silêncio desde o ultimo comentário que fiz há uns tempos, mas sinto-me «obrigado» a voltar à liça para expressar opinião perante a crescente regressão do país, afectando negativamente a maioria dos portugueses e o alheamento irresponsável do presidente da republica, cujo comportamento errático é, a meu ver, inadmissível e, por isso, condenável.
Poderia ser acusado de ingenuidade por alegadamente confiar no funcionamento das instituições, mas não, não pequei por despropositada inocência. A concretização do sonho de Sá Carneiro em 2010, um presidente, uma maioria, um governo, com as suas cores partidárias, foi motivo de desconfiança e preocupação minhas (e de muitos/as outros/as), confirmadas no estado actual do país e no que se vislumbra no próximo futuro.
O actual presidente da república ultrapassa tudo quanto de mau se poderia imaginar, mesmo tendo em conta de que ele é um dos principais responsáveis do caos sócio-económico-financeiro deste país.
Ora o primeiro ano do segundo mandato de Cavaco Silva de que foi lamentavelmente beneficiado, em circunstâncias que considero antidemocráticas, foi desastroso e ainda faltam 4 anos para a sua conclusão o que espero (e muito mais gente) não aconteça, pois uma réstia de dignidade ou a pressão da opinião publica, obrigá-lo-á a resignar. Vem a propósito referir a Petição para o seu afastamento, subscrita em pouco tempo por mais de 40000 cidadãos, entregue na Assembleia da República, numa acção inédita contra um presidente da república eleito depois do 25 de Abril de 1974.
Para mim, a melhor definição do actual pr ouvi-a de uma amiga nossa que diz «ele saiu de Boliqueime mas Boliqueime nunca saiu de dentro dele». De facto, Cavaco é um provinciano e, parafraseando Hercule Poirot, com muito poucas «little grey cells». A quantidade de dislates e apreciações inoportunas e até néscias, têm surgido em catadupa, culminadas com a publicação do sexto (?) volume dos seus discursos (mas quem os lerá sem ser os seus confidentes e desconselheiros?), focado no ataque desbragado a José Sócrates, pretendendo sacudir a água do capote, quando foi cúmplice dele e das suas políticas.
Este homem é original no desconchavo, do qual é exemplo o escrito das memórias quando ainda continua no activo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

INCOMPREENSÍVEL REINCIDÊNCIA

Há dias foi divulgada nova sondagem de opinião política dos portugueses, onde não se incluem aqueles com mais de 65 anos de idade que estão impedidos de se expressar, tanto sobre o tema em questão como sobre qualquer outro. Ora numa população envelhecida como a nossa (cerca de 20% de idosos) está excluída parte significativa da mesma, para além dos outros critérios de avaliação discutíveis.
Contudo os resultados são surpreendentes pois coincidem com os das últimas eleições legislativas, apesar de tudo quanto aconteceu ulteriormente e se vislumbra para o futuro próximo.
Lembremo-nos então da redução dos salários e das pensões, da retenção do 13º e do 14º meses, do aumento do IVA com repercussão em todos os sectores e produtos sobretudo nos que afectam a maioria, do aumento das taxas moderadoras e das consultas nos Centros de Saúde e Hospitais, do aumento do numero de horas de trabalho não pago, do despedimento a bel-prazer dos «empreendedores», da subida em flecha do desemprego resultante das políticas governativas, do progressivo e inocultável empobrecimento dos cidadãos e cidadãs, conducente ao quase desaparecimento da classe média, do desbragado clientelismo em todo o seu esplendor e das justificações obscenas e néscias do chefe do governo a propósito das «escolhas» para as administrações da EDP e das Águas de Portugal e até das tiradas irresponsáveis, senão criminosas, de dirigentes da maioria, como as de Passos Coelho e Relvas incentivando a emigração dos nossos quadros jovens, no seu conceito sem futuro no país e da Ferreira Leite, implicitamente sugerindo a eutanásia dos insuficientes renais, do incumprimento sistemático da palavra dada, do uso sem vergonha da mentira como meio de persuasão, da permanente desculpa (até quando???) com a actuação do governo anterior, do qual tem seguido as pisadas, agravando-as, e tantos, tantos, outros malefícios que se acentuarão nos próximos anos.
Perante esta realidade como se explica a cegueira política desta singular escolha contra natura, particularmente nas regiões mais desfavorecidas do país? Por masoquismo não é seguramente. É sim a persistente influência nefasta de organizações e pessoas que controlam tudo e todos, especialmente os mais vulneráveis, vítimas da sua gritante falta de instrução e cultura.
Não terá sido inocente a redução drástica do orçamento da Secretaria de Estado da Cultura, quando devia ter-se passado exactamente o contrário.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

SETECENTOS E TRINTA E SEIS

Há dias, poucos, surgiu uma notícia bombástica (a meu ver) de que mais de 700 cursos universitários (num total de quantos?) não tiveram candidaturas, passando despercebida, sem que tal merecesse a atenção de quem (?) de direito.
Creio que isto não é um fait divers , é antes algo de extrema gravidade que merece a reflexão da Universidade Portuguesa e, particularmente, do Conselho de Reitores, não excluindo os senhores Ministros da Educação e da Cultura.
Antes de mais torna-se curial saber, quais são os critérios que presidem à criação dE novos cursos?
Vem a propósito trazer à colação uma situação por mim vivida, quando bastonário da minha Ordem profissional, pela eventual possível criação de mais um Curso de Medicina Veterinária em Portugal. Era então Ministro da Educação o Prof Vasco Lynce a quem fui manifestar a minha profunda preocupação por tal possibilidade, pois já então existia um inusitado e inaceitável número de Cursos (5), para Portugal mesmo se comparado com países europeus da mesma dimensão, tais como a Holanda, a Dinamarca ou a Noruega. Embora perfilhando da minha opinião, das minhas preocupações, informou-me nada poder fazer pois a criação de cursos universitários não dependia do ministério, a não ser para eventual pedido de financiamento, mas apenas das universidades, das autoridades regionais e de outros grupos de pressão.
Contrariando-se o mais elementar bonsenso, o 6º curso foi criado, enquanto que, nos países atrás citados, antes possuíam dois cursos passaram a ter apenas um.
Este fenómeno de prejudicial incontinência criadora não afectou apenas a Medicina Veterinária mas sim quase todas, senão todas, as áreas do conhecimento das ciências, das letras e das artes, com consequências nefastas para os estudantes e para o país sob o pretenso benefício de uma descontrolada massificação do ensino universitário.
Os responsáveis desta situação não tiveram em conta a empregabilidade dos licenciados, contribuindo significativamente para o aumento de desemprego dos jovens e sua frustração, impondo-lhes salários miseráveis e a emigração.
Estas desastrosas consequências eram óbvias mas, é evidente, que os promotores e organizadores dos inúmeros novos cursos que proliferaram em larga escala e sem controlo, subordinaram tudo e todos aos seus interesses pessoais e, certamente, políticos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O CONSELHO DE ESTADO E A DEMOCRACIA

O presidente Cavaco Silva resolveu convocar o Conselho de Estado atendendo, depreendo eu, à (muito) grave situação sócio-económico-financeira e a falta de perspectivas positivas a curto médio prazo, senão longo.
Admitamos que na dita reunião suprema se vai discutir a concretização das opções da maioria actual e do seu governo, no seguimento das dos governos anteriores, mas um pouco mais sinistra e, sonhemos, propostas alternativas.
Estou também convencido, embora seguramente não seja alínea na Ordem de Trabalhos escolhida por S.Exa., de que virá à baila a contestação crescente que assumirá dimensão e proporções nunca antes vistas, agora que todas as organizações sindicais se uniram em torno da defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, postos em causa pelas opções governativas depois das promessas insistentemente repetidas durante a campanha eleitoral e integralmente postas de lado em nome da troika e do ultraliberalismo reinante na Europa.
A propósito, olhemos agora para a actual composição do Conselho de Estado que retirei da Wikipedia:

COMPOSIÇÃO ACTUAL DO CONSELHO DE ESTADO
Categoria Membro
Presidente da República (Presidente do órgão)
Cavaco Silva

Presidente da Assembleia da República
Assunção Esteves

Primeiro-Ministro
Pedro Passos Coelho

Presidente do Tribunal Constitucional
Rui Moura Ramos

Provedor de Justiça
Alfredo José de Sousa

Presidente do Governo Regional dos Açores
Carlos César

Presidente do Governo Regional da Madeira
Alberto João Jardim

Antigo presidente da República eleito
António Ramalho Eanes

Antigo presidente da República eleito
Mário Soares

Antigo presidente da República eleito
Jorge Sampaio

Designado pelo Presidente da República João Lobo Antunes

Designado pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa

Designado pelo Presidente da República Leonor Beleza

Designado pelo Presidente da República Vítor Bento

Designado pelo Presidente da República Bagão Félix

Eleito pela Assembleia da República Marques Mendes

Eleito pela Assembleia da República Francisco Pinto Balsemão

Eleito pela Assembleia da República Manuel Alegre

Eleito pela Assembleia da República António José Seguro

Eleito pela Assembleia da República Luís Filipe Menezes




Os primeiros sete membros, incluindo o Presidente da Republica que o preside, são-no por inerência das suas funções, embora o sétimo, figura abjecta que todos e tudo insulta, seja uma verdadeira pústula em Órgão criado pela Constituição de Abril.
Os oitavo, nono e décimo são os presidentes eleitos democráticamente e, por isso mesmo, está justificada a sua presença e o seu mérito indiscutível.
Os seguintes cinco conselheiros foram escolhidos pelo Presidente Cavaco Silva, numa demonstração inequívoca do seu conceito de pluralismo, correspondendo a todas as correntes de opinião do país e depois da sua formal declaração de actuaria sempre como presidente de todos os portugueses. Está pois à vista mais um claro cumprimento de promessas da maioria que comanda este pobre país....
Os restantes cinco Conselheiros de Estado foram eleitos pela Assembleia da República, três do PSD e dois do PS, isto é, escolhas de comum acordo entre os dois partidos, como a quando dos PECs 1, 2 e 3 e de praticamente todas as orientações políticas das ultimas três décadas.
Assim, os eleitos dos outros partidos parlamentares, salvo o CDS que está presente na composição referida, foram ostracizados quer pelo Presidente da Republica como pela Assembleia da Republica, apesar de representarem cerca de 20% do eleitorado português.

Nestas circunstâncias, a montanha do C.E. irá parir um rato pois, questiona-se, quais são as diferenças substanciais que a sua prática nega, embora os representantes dos partidos dominantes se acusem mutuamente pelos desvarios cometidos alternada e consecutivamente? Alguém, nomeadamente os seus membros sem vínculo partidário conhecido, se atreverá a pôr na mesa a discussão de alternativas à actual política? Só por absurdo.

Esta é a democracia portuguesa na sua plenitude!!!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

FINALMENTE OS RICOS PAGAM A CRISE

Ontem à noite ficou-se a saber, pela boca do senhor Primeiro Ministro, que os grandes culpados pelo «buraco» das contas do país são os funcionários públicos e os pensionistas. Constatada esta verdade absoluta, esses «malvados» terão que pagar pela sua responsabilidade coveira e, vai daí, terão os salários reduzidos e deixarão (até quando?) de ter direito aos subsídios de Natal e de Férias, ou melhor, passarão a receber 12 salários por ano, como o disse hoje na Antena 1, o economista e sub-director do Expresso Nicolau Santos.
Por dever de justiça quero ressalvar que os ditos coveiros mais atingidos pelos cortes são os trabalhadores da função pública e os pensionistas que ganham uns chorudos1000 euros, isto é, são considerados ricos e assim «os ricos que paguem a crise». A propósito, serão indigentes aqueles que disfrutam de Porshes, Ferraris, grandes iates, vivendas e/ou andares luxuosos e se refugiam em paraísos fiscais?.
Assim, é compensador ver finalmente reconhecido o mérito....
Importa enaltecer também que o bom caminho traçado pela maioria governante é reforçado com o aumento do IVA para os 23%, imposto justíssimo pois afecta de igual modo quem ganha 100 ou 100.000 euros. Este acréscimo não terá qualquer efeito negativo sobre o consumo e sobre todos os sectores do comércio, nomeadamente a restauração.
Outra virtude próximo-futura destes cortes será a sua aplicação ao trabalhadores do sector privado, de resto já iniciada com o aumento do tempo de trabalho, redução das compensações por despedimento, sem estar sujeito à justa causa, e outros benefícios para se actualizar o mercado de trabalho, conforme o ditam a troika, a Merkel, a CIP, a CCP, a CAP e outras organizações de produtores....
A juntar a esta política selectiva e progressista não se preconizou qualquer iniciativa para aumentar a produção nacional pelo que já em 2012 o nosso PIB crescerá e não se entrará em recessão.
É interessante verificar o esquecimento sistemático de que o buraco nas «nossas» finanças não se deve à dívida pública mas sim à dívida privada o que joga mal com os bodes expiatórios escolhidos.