quarta-feira, 9 de novembro de 2016


BATEPAPOS VADIOS 4 

BAGÃO FELIX E OS CHICO-ESPERTISMO DOS VOUCHERS

Porquê chico-espertismo ter-se levantado o caso dos vouchers? Quere-me parecer que chico-espertismo é a oferta dos vouchers aos árbitros. É pertinente, plenamente justificada a pergunta: qual o objectivo de se oferecer prendas aos árbitros?. Não acha que esse procedimento, queira-o ou não, seja considerado suspeito? Sobre a contratação pelo Sporting de Nelson Évora sugiro uma revisão detalhada das várias mudanças ao longo dos anos.
Por ultimo, lamento dizê-lo, não esperava esta intempestiva reacção de Bagão Felix , um homem político que sempre me mereceu respeito, apesar-de termos perspectivas ideológicas muito diferentes





A VITORIA DE TRUMP, PORQUÊ?



Nos EUA, um estado federado, extenso e com grande riqueza, com mais de 200 milhões de habitantes, existem enormes desequilíbrios sociais os quais, a meu ver, explicam a inesperada e indesejada vitória esmagadora de Donald Trump..

Um deles é evidente nos cerca de 10% de pobres, sem assistência social e de saúde o que Obama tentou mitigar com o Obamacare e com outras medidas que o Congresso, dominado pelos republicanos, sistematicamente bloqueou e que Trump prometeu anular.

Outro aspecto do desequilibrio social resulta de que actualmente a educação de qualidade neste imenso país é extremamente cara o que impede a maioria de lhe ter acesso e explica porque razão existe apenas uma minoria intelectual com muito elevado nível cultural, notável capacidade científica, admirados no mundo civilizado e grande espírito solidário, em contraste com uma enorme maioria onde predomina a iliteracia e uma confrangedora ignorância relativamente a tudo que ultrapasse o seu meio ambiente restrito. Foi esta maioria que se rendeu ao populismo e à mistificação de Trump que apelou ao sentimento nacionalista e ao isolacionismo para a ressurreição da Grande América. Sobre a deturpação aleivosa de Trump relativa à realidade actual nos EUA, nomeadamente a recuperação económica com a criação mensal de centenas de milhar de empregos, ela ficou, a meu ver, clara para quem viu o ultimo programa, de 7 de Novembro p.p., o Prós e Contras da RTP

quarta-feira, 26 de outubro de 2016


BATEPAPOS VADIOS 3



Sobre o prémio Nobel da Literatura 2016 para Bob Dylan e a opinião de Mario Vargas Llosa



Pelo andar da carruagem, Vargas Llosa terá razão ao preconisar uma absurda decisão de contemplar um futebolista com o Nobel da Literatura de 2017.
É bem verdade que há artistas da bola, como Ronaldo, Messi, Roben, Griezman, que «escrevem fantásticos poemas» nos relvados, deixando os adversários atónitos e o público rendido a tais encantos. Eles são premiados periódicamente, com maior ou menor espírito de justiça, pelos Comités Internacionais do futebol, tal como Dylan foi, várias vezes, galardoado pelos «Nobel» da Música. De facto, por muito que se aprecie e considere Bob Dylan um génio da música universal, a sua excepcionalidade nessa arte, não justifica o prémio que lhe foi conferido agora. Entretanto, o Comité Nobel desvalorizou a literatura, desprezou todos os precedentes vencedores, entre os quais o «nosso» Saramago e «esqueceu-se» de grandes figuras das letras mundiais como, por exemplo, Haruki Murakami e, porque não, António Lobo Antunes, um excelente escritor louco.
Concluindo, com toda a humildade atrevo-me a dizer que será candidato, num futuro próximo, um jovem já grande escritor português, Gonçalo M.Tavares



Sobre os bombardeamentos em Alepo na Síria

As imagens são esclarecedoras da alarmante destruição desta cidade histórica, património da humanidade. É indiscutível a imperatividade de pôr côbro a esta guerra. Contudo, é também imperativo que lembrar como se iniciou a guerra na Síria a que a cidade de Aleppo pertence em lugar de se escamotear que a responsabilidade não cabe apenas, na visão maniqueísta, aos «maus», neste caso ao «regime sírio» (eufemísticamente assim tratado, em quase todos os media nacionais e internacionais), à Rússia e ao Irão, pois os «bons», EUA, NATO, UE, nada têm a ver com o problema. É bom recordar a chamada «Primavera Árabe» preconizada pelo chamado Ocidente, rastilho da convulsão no norte de África, Médio Oriente e Mesopotâmia, transformando estas regiões num barril de pólvora ao desestabilizar-se todos os países nelas incluidos, excepto Israel, um santuário de paz com cerca de 200 ogivas nucleares .Basta olhar-se para o que se passa na Líbia, Egipto, Tunísia, Iraque, Síria e para os milhões de refugiados, num verdadeiro holocausto às portas da Europa. E porquê???? No fundo. no fundo, talvez sejam as maiores reservas de petróleo e também a Rússia, o inimigo numero 1, o mal dos males, o responsável único por crimes contra a humanidade, tal como foi condenado, antes do julgamento, Milosevic (recentemente ilibado...).
Seria estúpido não reconhecer também que a Rússia tem responsabilidades criminais, dentro e fora das suas fronteiras, mas é idiota e de má fé assacar-lhe tudo o que de mal se faz e fez, em contraponto com os «bonzinhos», benfeitores da humanidade. Cometi uma falha, não imperdoável porque estou a emendá-la,,ao não referir a extrema hipocrisia de quem fala sobre crimes contra a humanidade e apela a tréguas enquanto que, simultâneamente, fornece armas ligeiras e pesadas aos beligerantes. De facto, como travar os vários conflitos, incluindo os relacionados com o Daesh, enquanto floresce o negócio das armas, o mais rentável de todos, que causa milhões de mortos e estropiados e a destruição maciça de povoações e campos? Porque será que as ONG, de vários matizes, não têm como prioridade a luta contra esta indústria letal, causadora

de catástrofes, principais responsáveis de crimes contra a humanidade????


O BE E OS SEUS TRAUMAS POLÍTICO-IDEOLÓGICOS



É um trauma que afecta a direcção do BE, acompanhando, em algumas situações políticas, o CDS o que é uma coincidência bizarra. Têm todo o direito de não gostar de Cuba que continua a resistir passado mais de meio século de embargo, tal como não gostam do MPLA, partido maioritário em Angola e do seu presidente, na sua perspectiva «um feroz ditador».
Recusaram-se agora a integrar a comitiva presidencial na visita a Cuba, tal como o tinham feito na ida a Angola, numa estranha posição única a nível partidário.

Em Cuba o BE só deve tolerar Guillermo Farinas, o rosto da chamada «oposição democrática» que presta declarações frequentes aos media ocidentais, atacando o regime cubano que, segundo ele, escraviza o seu povo e, numa entrevista à RDP, afirmou que Fidel Castro é uma figura satãnica, responsável numero 1 pela ausência de democracia no país. Assim Farinas expressa abertamente a sua opinião demolidora sobre a situação em Cuba onde, segundo ele e a maioria dos media, não há liberdade de expressão….




terça-feira, 25 de outubro de 2016

BATEPAPOS VADIOS 2

Em Espanha, finalmente governo….(O PSOE após a demissão de Pedro Sanchez)


DN 23/10/2016

São os mesmos que têm ajudado a manter o status quo, isto é, deve ficar tudo como até agora, apesar das fraudes e corrupção que pululam no PP, nomeadamente por altos dirigentes desse partido. Os dirigentes provisórios do PSOE estendem assim a mão ao senhor Rajoy, dão o dito por não dito, atraiçoando os seus militantes, numa demonstração de cataventos sem escrúpulos. Assim, aliaram-se aos CIUDADANOS, dissidentes do PP, que tinham afirmado categoricamente nunca viabilizar um governo de Rajoy, e afinal, mais um sem vergonha, roeram a corda. Lamentável!

Da sua capitulação o PSOE não deverá tirar benefícios políticos mas sê-lo-à, sim, o PODEMOS.





25 OUT, 2016 PAÇO DE ARCOS 16:21



O país ainda não absolveu os desertores da guerra colonial,,,,,

Sapo, 25/10/2016



Qual país? O país dos saudosos de 5º império? O país dos ainda entranhados do salazarismo? O país dos saudosos da sociedade colonial que beneficiava uma minoria e desprezava a maioria sem direitos? Por outro lado, a palavra desertor tem conotação depreciativa, sobretudo para os atrás referidos que consideram uma traição daqueles que recusavam morrer por quem fomentou uma guerra colonial injusta que podia (e devia) ter sido evitada se a mente doentia e criminosa de Salazar não recusasse conversações com os movimentos de libertação, solicitadas na década de 50 do séc.XX. É injusta e inaceitável a afirmação deste artigo de que o país (?) ainda não absolveu os «desertores» onde os mesmos saudosos incluem os angolanos, moçambicanos, caboverdeanos, guineenses, santomenses que lutaram pelo seu país até à independência.





Sobre as afirmações de Pinto da Costa na gala dos dragões de ouro de ontem

25/10/2016

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E a comunicação generalista e futebolista, obviamente à parte a que é seu portavoz quotidiano, fica impávida e serena perante o reiterado apelo de décadas deste dirigente, ao provincianismo bacôco, à divisão norte/sul, entre nortistas e mouros, ao ódio aos adversários do sul, numa prática sistemática de «lançamento de gasolina na fogueira». Foi seu homólogo, embora sem relação com os futebóis, mais grave ainda, o dirigente regional já reformado que, em tempos, ameaçou, sem subterfúgios, à independência da região de que era dono e senhor.





Entrevista ao padre polaco Krzystof Charamsa

DN 25/10/2016



Enquanto for obrigatório o celibato para os padres católicos, é irrelevante esta denuncia de Charamsa, sobre heterosexualidade e homosexualidade, no interior da igreja. Cumprindo o juramento de castidade que, voluntáriamente, fizeram, enquanto padres, deverão comportar-se, na sociedade, como assexuados, uma anormalidade biológica
VADIOS 2

domingo, 23 de outubro de 2016

BATEPAPOS VADIOS

Não publico há vários meses neste meu blogue porque, embora seja visitado por muitos internautas, é raro que emitam qualquer opinião escrita. Ora, assim, perde-se, a meu ver, o principal objectivo de um blogue. Contudo, regresso agora, na perspectiva de vir a atingir aquela finalidade.
Inicio hoje os meus bate-papos vadios, relembrando um velho hábito que tínhamos na Casa dos Estudantes do Império, nos gloriosos e, ao mesmo tempo, negros anos salazarentos de 60 do século XX.
Vem, a propósito, recordar um encontro fortuito, na esquina da João XXI com a avenida de Roma, junto a uma garrafeira que ali existia, cerca das 22 hores, com três amigos cestimpérios, o Joaquim Salústio, o Costa Andrade e o Victor Duarte. Ali parámos e demos início a um bate-papo sobre a situação em Angola e perspectivas a curto prazo. Separámo-nos eram 3 da manhã!!!

Os papos seguintes convosco versam temas que tenho abordado nos últimos tempos, no FB e jornais, e considero relevantes

Francisco José Viegas Acredita que mais de metade dos livros que se publicam em Portugal, «se fossem produtos de supermercado, as pessoas não os compravam».

(Jornal I de 16/10/2016


Nunca percebi como é que Francisco José Viegas, um intelectual progressista, fez parte como Secretário de Estado da Cultura, de um governo que «puxava da pistola» logo que ouvia falar em cultura. Mas adiante, creio que ele tem razão ao afirmar que se publica, em Portugal, uma babel imunda de livros. A propósito, a cultura universal arrisca-se à atribuição de um Nobel da Literatura ao pivô da RTP Rodrigues dos Santos. Nunca li, nem vou ler, qualquer das suas espessas obras que se vendem às centenas de milhar, pois basta-me ouvê-lo e, sobretudo, ver o seu arrogante e despropositado pisca-olho, certamente cultural para si e seguidores, com que brinda os telespectadores

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(Jornal de Notícias de 10/10/2016)



O Presidente da Republica Marcelo Rebelo de Sousa homenageou o Cavaco e afirmou que ele tem sensibilidade social

(Jornal de Notícias de 10/10/2016)



Cavaco com sensibilidade social????? Então o que significa sensibilidade social? Quando e como ele o demonstrou? Deve ter sido quando ele afirmou que a sua pensão de reforma era insuficiente para os seus pequenos gastos e/ou quando deu primazia social às cagarras das Dezertas...Senhor Presidente da Republica permita-me que o aconselhe, como mais velho, a maior comedimento pois ao presidente Cavaco Silva já lhe foi atribuido o epíteto de pior presidente eleito democraticamente.



Ivone Soares (deputada da RENAMO): «Marcelo deve esforçar-se mais para garantir a paz em Moçambique»

Sapo, 4/10/2016

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A situação política em Moçambique creio que é caso único a nível mundial, uma originalidade responsável pela permanente instabilidade que ali se vive desde a independência. O caso peculiar a que me refiro é o facto de um partido da oposição, a RENAMO, que mantém um exército depois da assinatura da paz, ao longo dos anos episodicamente activo, confrontando-se com as forças armadas nacionais!!!!. Como é possível persistir esta anómala situação ? Como é que o presidente da republica portuguesa, ou qualquer outra personalidade mundial, pode contribuir para a paz em Moçambique nestas condições?





Eleições Americanas 2016: Alguém consegue ser mais conservador que Trump?

Sapo 30 Set 2016 · 18:40

O Trump é conservador?????????? Um paraquedista que aparece de rompante só por que é muito rico, a dizer todas a espécie de dislates até aos insultos mais soezes, demonstrando sem pudor o seu racismo primário, xenofobia, misogonia, é um conservador? O que é então, para o articulista, um conservador? Ele conserva o quê, quando só a KKK defende os seus «valores» ultra reaccionários que até os dirigentes do Partido Republicano dos EUA repudiam, incluindo o W Bush?

domingo, 24 de abril de 2016


O FILÓSOFO FADISTA

Na minha infância e adolescência angolanas não senti qualquer atracção pelo fado, antes pelo contrário, desgradava-me. Só passei a «aceitá-lo» quando, de licença graciosa (trianual para os docentes da nossa Universidade), estivemos em Portugal em 1970, e fomos ouvir, na casa de fados Lisboa à noite, Manuel de Almeida e Fernanda Maria.

Entretanto os anos passaram e, em final dos anos 70 do século XX, comecei a prestar maior atenção a esta forma de música popular lisboeta com Amália e os dois Carlos, Ramos e do Carmo. Já neste século, surgiu um conjunto imenso de jovens fadistas excepcionais, uma pleiade de mulheres como Carminho, Ana Moura, Gisela João (pondo de parte, um espectaculo degradante e desagradável no Coliseu do Porto, onde participou em 2015) e de homens, à cabeça Ricardo Ribeiro e Camané.

Ora, depois de um preâmbulo relativo à minha entrada e fixação no fado, tenho seguido, na Radio, em particular na Antena 1, o percurso dos atrás referidos. Uma das rubricas radiofónicas minhas preferidas, acontece aos domingos depois das 9h00, o excelente «Sons da lusofonia» de Edgar Canelas, relevando as suas frequentes pequenas gargalhadas, sempre a despropósito, onde ele revela ou lembra ou insiste, em fadistas e outros cantores nacionais e lusófonos.

Neste domingo, foi a vez do ajudense Ricardo Ribeiro de potente voz, presença, filosofia e dedicação à cultura, com a sua ultima obra intitulada «Hoje é assim, amanhã não sei». Como sempre, ele recitou exemplarmente letras dos seus fados e respectivos autores, enaltecendo, quase sempre, as ideias do prof. Agostinho da Silva que perfilha e solta também reflexões profundas sobre os temas e sobre a vida de que destaco hoje: «Eu sou como a meteorologia, hoje estou assim, amanhã talvez não».

Creio que se coaduna com ele, Ricardo Ribeiro, o epiteto de filósofo fadista ou fadista filósofo.

Ainda podem ouvir «Os sons da lusofonia», não percam, vale bem a pena.


quarta-feira, 16 de março de 2016


OS CIDADÃOS ANÓNIMOS, MAIS O PANTEÃO….

Anteontem, desapareceu abruptamente deste vale de lágrimas, Nicolau Breyner um homem simpático e afável, simples, sem tiques de vedeta, um extraordinário actor, mais conhecido do grande público como humorista, o Nico, e primeiro autor/interprete de telenovelas nacionais, reconhecidamente de qualidade, faceta notável mas, a meu ver, muito longe do enorme actor dramático que ele era. Lisboeta adoptado mas alentejano de Serpa que muito amava, Nicolau foi autarca pelo CDS, por um período muito curto, num concelho desde sempre presidido pelo PCP. Respeitado e estimado ali e pelos seus colegas de profissão, por amigos e conhecidos, rejeitou sempre o sectarismo, como o testemunharam os entrevistados, antes e depois do seu desaparecimento.

Todos os media nacionais enalteceram o seu carácter e a sua contribuição cultural como artista de eleição, corroborados pelas multiplas intervenções de figuras publicas e menos conhecidas.

Vem a talhe de foice a repetitiva e, a meu ver, ofensiva expressão utilizada pelos reporteres de televisão e de rádio, neste evento e em todos aqueles onde estão presentes multidões, quando assinalam os notáveis e os muitos cidadãos anónimos, quando nenhum deles o é, todos têm nome porque é obrigatório desde o seu registo após o nascimento, eles não são é conhecidos de quem faz o relato. Porque é que não se limitam a descrever a presença de muita gente, mulheres e homens, velhos e jovens, sem os insultar?

Os mesmos reporteres que tão grandes serviços prestam quotidianamente à comunidade, por vezes excedem-se nas encomiásticas descrições da personalidade em apreciação. Ontem tal aconteceu quando se referiu que Nicolau Breyner revolucionou o modo de fazer humor em Portugal… Para reforçar o elogio do grande actor não era preciso isso, como diria o Diácono Remédios, personagem criada por Herman José, este sim o génio que fez e faz rir (quando quer) como ninguém.

Outra pedrada no charco surgiu ontem, a exemplo do que já acontecera quando a Assembleia da Republica deliberou, por unanimidade, a trasladação do corpo do futebolista Eusébio para o Panteão Nacional, quando alguém preconizou que o corpo de Nicolau Breyner também fosse ali colocado. Com todo o respeito por Amália, Eusébio e Nicolau Breyner, será que é sensato e razoável  vulgarizar o Panteão Nacional? Quais são os limites?




sábado, 5 de março de 2016

O SEU A SEU DONO
A rede social Facebook, um poderoso meio de comunicação de milhões de cidadãs e cidadãos de praticamente todo o planeta, encerra aspectos francamente positivos mas também muito negativos, resultantes de utilização indiscriminada, sem respeito pela verdade, pelo bom nome e privacidade de cada um.
Ora no FB constituem-se grupos encomiásticos alguns e insultuosos outros, segundo as perspectivas e os afectos dos seus criadores.
Um dos grupos, agora fechado, com mais de 10.500 aderentes, íntitula-se «Mario Soares. pai do mal de Portugal» creio que, na sua maioria, são os designados retornados, desajolados, refugiados das ex-colónias.
Foi Mário Soares, ministro dos negócios estrangeiros de Portugal, durante vários governos provisórios, dando cumprimento ao programa do MFA, quem entabulou conversações com os movimentos de libertação das colónias, com vista à autodeterminação e preparação de ulterior independência dos respectivos países.
É oportuno recordar agora, pela sua importância primordial, que logo a seguir ao 25 de Abril, as palavras de ordem «Nem mais um soldado para as colónias e sua Independência imediata» eram imperativas e indiscutíveis, pois todos, em Portugal e colónias, estavam saturados da guerra e seus efeitos perversos. Assim, desencadeia-se então o processo de descolonização, primeiro num clima de esperança de colonos e colonizados, seguido de desconfiança quanto aos movimentos de libertação, fomentada pelos algozes do passado, pides, legionários e outros torcionários que não foram neutralizados em tempo útil, aproveitando-se da incerteza gerada naqueles quanto ao seu futuro. Neste clima de insegurança,  eclodiram manifestações pontuais de racismo nas grandes cidades, com graves desmandos de parte a parte, empoladas pelos adversários da emancipação dos povos colonizados que estiveram na base da descontrolada fuga maciça de portugueses e de angolanos para Portugal.
Os chamados retornados e os refugiados, desalojados, etc., que sofreram todo o processo de saída abrupta das colónias, em condições desastrosas, tanto do ponto de vista material, patrimonial, social, como psicológico, muitos ainda culpam Mário Soares e também, em Angola, o Alto Comissário Almirante Rosa Coutinho por aquilo que passaram, porque nunca houve a preocupação das várias entidades do Estado Português, a partir do 6º governo provisório, em esclarecer a situação ou, pior ainda, ignoraram-na, deixando no ar uma suspeição injusta e malévola sobre o fenómeno.
A propósito, quero clarificar que não me move qualquer simpatia por Mário Soares desde que, por culpa sua, Portugal ter sido um dos ultimos países a reconhecer a independência e o 1º governo de Angola; quando meteu o socialismo na gaveta bem como pela escolha dos seus aliados nos vários governos a que presidiu e nas políticas que levaram a cabo. Contudo, o seu a seu dono, esta opinião não me impede de contrariar a aleivosia dos que lhe assacam a responsabilidade pelo grande sofrimento dos retornados de Angola.
De facto, os responsáveis pelo desastroso processo de descolonização em Angola não foram Mário Soares nem Rosa Coutinho, mas sim Salazar e Caetano que, desde os anos 50 do século passado, se recusaram obstinada, estupida e criminosamente, a dialogar com os movimentos de libertação das colónias, desde sempre empenhados (Agostinho Neto, Amilcar Cabral, Marcelino dos Santos e outros) numa preparação serena, atempada e organizada da sua futura independência, com interêsse óbvio na permanência dos portugueses e seus descendentes angolanos nos respectivos territórios. De resto a sua teimosia irracional e dos seus seguidores, defensores do ridículo «Portugal do Minho a Timor», contribuiram para que o país fosse condenado em todos os fora internacionais e pasto da chacota no mundo civilizado.