domingo, 15 de outubro de 2017


BEM ESTAR ANIMAL E O FUNDAMENTALISMO


Incompreensivelmente, hoje em dia, cresce o numero de alegados defensores do bem estar animal que, admito, não se dão conta que secundarizam o bem estar humano.

É óbvio que, paralelamente, é cada vez maior a importância da preservação do bem estar animal, nomeadamente por aqueles que velam pela sua saúde e bem estar, como é o meu caso, como médico veterinário.

Em produção animal, terrestre ou aquática, esta preocupação está-nos sempre presente, no sentido de se reduzir ao máximo tudo quanto ponha em causa a saúde e bem estar animal. Esta actividade é primordial para o bem estar humano, onde se inclui o acesso aos alimentos de origem animal, por todos, Contudo, sem produção animal em cativeiro, tal acesso acabaria por confinar-se, teoricamente, aos ricos se o abastecimento proviesse em exclusivo de animais selvagens, incluindo os peixes, os crustáceos e os moluscos, produto da pesca, em declínio progressivo e inexurável.

A população humana tem aumentado exponencialmente o que «obrigou» à criação de novas fontes de proteína animal, essenciais a uma alimentação equilibrada, isto é, o recurso à produção animal. Ora tal demanda foi levada a cabo com métodos e técnicas de produção intensiva, em condições de exploração desumana com cargas animais (peso ou numero de animais por unidade de superfície ou de volume), tantas vezes denunciadas, nomeadamente as praticadas na suinicultura, na avicultura, na piscicultura, na bovinicultura. A título de exemplo, dentro da minha área de trabalho durante décadas, refiro que no meio natural haverá em áreas produtivas, em média, menos de 100g de peixes/m2 enquanto que na anguilicultura (cultura de enguias) intensiva se atinge 1000 enguias de 150 g/m3 !!!Tal situação tem vindo a ser alterada progressivamente com a redução da carga animal para valores que permitam a preservação do bem estar animal.

Por outro lado, a produção animal, em terra ou na água, tal como qualquer outra actividade produtiva, tem por finalidade o rendimento lucrativo da exploração, quer dizer, a redução da carga animal tem como limite o valor que permita ao produtor extrair dividendos, por outras palavras, ninguém investe para perder numa actividade de risco.

Ora toda esta minha exposição relaciona-se com o facto de haver quem queira impedir a produção animal semi-intensiva, susceptível de rendimento positivo, propugnando em exclusivo a extensiva o que, em muitos casos, não é lucrativa.

Enquadrada na visão fundamentalista do bem estar animal, surge agora em Portugal a tentativa de aprovação de uma lei que iria permitir a entrada de animais de companhia nos restauerantes!!!  

Não, não estou de acordo com essa intenção descabida e excessiva, fundamentalista, para quem o bem estar animal sobrepõe-se ao bem estar humano. Rejeito por razões de higiene, saúde pública e tranquilidade dos frequentadores de restaurantes. Quem o propôs até se esqueceu de que estão englobados nos animais de companhia diversas espécies, géneros, familias, ordens, classes, nomeadamente, além de cães, pequenos, médios e grandes e gatos, cobras, lagartos, iguanas, tartarugas, cágados, aranhas, lacraus, felinos vários, cobaias, símios, suínos, murganhos, peixes e outros animais aquáticos, embora não dê jeito o seu transporte pela trela...etc., etc


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