O HOMEM ENTALADO
Li, quase sem parar, o
original romance «O homem duplicado» de José Saramago, assim como me deu grande
gôzo a leitura do «O homem demolido» de Alfred Bester, em que o protagonista
tudo fez para se livrar da polícia do pensamento. São dois temas sugestivos e
interessantes, aos quais acrescento, com as devidas limitações, um outro que me
ocorreu agora, no contexto político actual do país, «O homem entalado».
Trata-se de um político, bem parecido, ao estilo playboy, e protegido dos media
nacionais, que não há forma de aceitar as mudanças no país, sustentadas numa
maioria diferente da sua e, então, põe tudo em causa com inusitado furor,
deixando cair a máscara de menino bem educado pois recorreu ao insulto e
maledicência, ao ponto de chamar reles e ordinário a quem o sucedeu no cargo,
alguém que tem suscitado o respeito e o elogio, no país e no estrangeiro,
nomeadamente na UE. A sua desorientação é tal que não conseguiu escolher
candidatos credenciados, de primeira linha, elegíveis, arriscando-se ao
fracasso em próximos confrontos regionais. O homem está entalado, os seus
medíocres lugares-tenentes são meras caixas de ressonância suas e ele está sem
capacidade para definir um rumo com bom senso e credibilidade. Oh da guarda,
dêm-lhe uma bóia de salvação e libertem-no
A EUROPA ATÉ ONDE?
Os limites geográficos da Europa são voláteis, do ponto de vista político,
consoante ditam os interêsses amigos dominantes. Vem isto a propósito de um
torneio europeu de ginástica, em realização na Maia, cidade com pergaminhos
neste desporto e uma das equipas participantes é Israel. A inclusão
extemporânea deste país na Europa repete-se depois da sua presença nos
campeonatos europeus de ginástica, no Festival Europeu da Canção, nos
campeonatos europeus de futebol, na fase europeia dos campeonatos do mundo de
futebol e noutros acontecimentos relevantes deste continente. Pergunto: porquê
este privilégio para um país do Médio Oriente e, portanto, não europeu? Já
agora, porque não a Arábia Saudita, os EAU, o Catar, países igualmente amigos,
conduzindo à ampliação da Europa, até que atinja a dimensão, por exemplo, da
Ásia? Perguntar não ofende...
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