O
CANTO DAS SEREIAS
Em vários jornais e canais televisivos foi
ontem divulgado o resultado de uma sondagem levada a cabo pela Universidade
Católica no final de Julho, com uma margem de êrro mínima e 95% de fiabilidade.
Sondagens são sondagens, valem o que valem,
como é uso dizer-se, com enfado e desesperança. Creio que, apesar de tudo, poderão
ser um indicador e correspondem a uma realidade que, é ou não, mais ou menos
influenciada por elas.
Assim, se se realizasse agora eleições
legislativas o PS teria 35% de votos, o PPD 32%, a CDU 11%, o BE 7% e o CDS 3%
Após a divulgação das ditas sondagens
verifica-se sempre, repito sempre, um fenómeno de prestidigitação que clara e
significativamente condiciona a opinião e o voto dos eleitores. De resto, é
essa a intenção dos mágicos comentadores, fazedores de opinião e politólogos
oficiais, escolhidos a dedo que pululam nas televisões, rádios, jornais, etc. Por
coincidência, à parte pequenas diferenças cosméticas, comungam todos dos mesmos
princípios, balizados pelo status quo
nacional, comunitário e internacional. Ai daqueles que, por distracção ou
tomada de consciência, se atrevam a sair do rebanho.
Tais agentes da propaganda confinam-se, como
sempre se confinaram, à potencial votação no PS e PPD e à diferença mínima de
3% que os separaria e, piedosamente, referem-se ao trambolhão do CDS,
transformando-o numa micro bengala mas que, apesar disso, continua a pertencer
ao glosado (e gozado) «arco da governação». O seu objectivo prioritário é a
alternância PS/PPD, ao jeito boné branco, branco boné, imposta há 38 anos pelo
que rejeitam todas as alternativas fora deste trio. Qualquer outra reflexão é
despicienda porque nada mais aconteceu…
Porque
será que esta monolítica gente não tem um assomo de honestidade intelectual e
soma os votos dos partidos de esquerda, PS+PCP+BE, que em percentagem perfariam
53%, enquanto a direita não ultrapassaria os 35%, isto é, a esquerda teria uma confortável
maioria? Ora, segundo os seus dogmas, a hipótese de uma esquerda maioritária no
parlamento é algo condenado a priori,
do outro mundo, inadmissível, já que, no seu discriminatório critério, o PCP e
o BE, representando quase 20% do eleitorado, não fazem parte do «arco da
governação».
Pergunta-se
então, a quem cabe a escolha dos partidos e da sua representatividade na AR?
São as portuguesas e os portugueses e não aqueles, nacionais e estrangeiros,
que se alcandoram em donos de Portugal.
Ao
«arco da governação» deste país pertencem todos os deputados com assento
parlamentar. As portuguesas e os portugueses merecem mais respeito mas só é
pena que não façam valer o seu direito à verdade e continuem a ir no canto das
sereias de gente sem escrúpulos.
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