sábado, 3 de agosto de 2013


               O CANTO DAS SEREIAS

Em vários jornais e canais televisivos foi ontem divulgado o resultado de uma sondagem levada a cabo pela Universidade Católica no final de Julho, com uma margem de êrro mínima e 95% de fiabilidade.

Sondagens são sondagens, valem o que valem, como é uso dizer-se, com enfado e desesperança. Creio que, apesar de tudo, poderão ser um indicador e correspondem a uma realidade que, é ou não, mais ou menos influenciada por elas.

Assim, se se realizasse agora eleições legislativas o PS teria 35% de votos, o PPD 32%, a CDU 11%, o BE 7% e o CDS 3%

Após a divulgação das ditas sondagens verifica-se sempre, repito sempre, um fenómeno de prestidigitação que clara e significativamente condiciona a opinião e o voto dos eleitores. De resto, é essa a intenção dos mágicos comentadores, fazedores de opinião e politólogos oficiais, escolhidos a dedo que pululam nas televisões, rádios, jornais, etc. Por coincidência, à parte pequenas diferenças cosméticas, comungam todos dos mesmos princípios, balizados pelo status quo nacional, comunitário e internacional. Ai daqueles que, por distracção ou tomada de consciência, se atrevam a sair do rebanho.

  Tais agentes da propaganda confinam-se, como sempre se confinaram, à potencial votação no PS e PPD e à diferença mínima de 3% que os separaria e, piedosamente, referem-se ao trambolhão do CDS, transformando-o numa micro bengala mas que, apesar disso, continua a pertencer ao glosado (e gozado) «arco da governação». O seu objectivo prioritário é a alternância PS/PPD, ao jeito boné branco, branco boné, imposta há 38 anos pelo que rejeitam todas as alternativas fora deste trio. Qualquer outra reflexão é despicienda porque nada mais aconteceu…

Porque será que esta monolítica gente não tem um assomo de honestidade intelectual e soma os votos dos partidos de esquerda, PS+PCP+BE, que em percentagem perfariam 53%, enquanto a direita não ultrapassaria os 35%, isto é, a esquerda teria uma confortável maioria? Ora, segundo os seus dogmas, a hipótese de uma esquerda maioritária no parlamento é algo condenado a priori, do outro mundo, inadmissível, já que, no seu discriminatório critério, o PCP e o BE, representando quase 20% do eleitorado, não fazem parte do «arco da governação».

Pergunta-se então, a quem cabe a escolha dos partidos e da sua representatividade na AR? São as portuguesas e os portugueses e não aqueles, nacionais e estrangeiros, que se alcandoram em donos de Portugal.

Ao «arco da governação» deste país pertencem todos os deputados com assento parlamentar. As portuguesas e os portugueses merecem mais respeito mas só é pena que não façam valer o seu direito à verdade e continuem a ir no canto das sereias de gente sem escrúpulos.

 

 

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