AQUI D’EL
REI…
Não há exagero da minha parte
em afirmar que hoje em dia, a RTP/RDP é mera caixa de ressonância das posições
das direitas, em particular do seu governo, num ataque cerrado à possibilidade
de concretização de um governo do PS, apoiado pelo BE, PCP e PEV, isto é,
sustentado na maioria parlamentar absoluta.
Na RTP é notória a
parcialidade político-ideológica quer nos telejornais, como nos mais recentes
programas, nomeadamente no 360º, no canal 8 ou RTP3, n’As Palavras e os Atos, na
Grande Entrevista e também nos Prós e Contras, onde a promotora está sempre
pronta para ir em apoio destes governantes em gestão, depois do chumbo do
Parlamento.
Na RDP é também um fartote quotidiano
de apoio ao status quo. Ontem foi entrevistado
nesta estação de rádio, João Salgueiro, economista e banqueiro, afinado pelo
mesmo diapasão ideológico. Ora bem, hoje durante os vários noticiários da manhã,
foram transmitidos extractos dessa entrevista, incluindo no das 13 horas,
prenunciando a transmissão integral após a conclusão deste ultimo. De resto, o
entrevistado é claro no seu posicionamento contra a possibilidade de um governo
legítimo de esquerda e nem titubeou ao preconizar a venda imediata do Novo
Banco a qualquer preço… e eu acrescento… em benefício do capital privado.
Dentro desta deliberada
atitude de protecção à direita está a escolha a dedo dos participantes nos
debates, sejam eles/elas economistas/politólogos/comentadores, clones uns dos
outros, apregoando os terríveis perigos que se avizinham com a esquerda a
governar.
Vem a talhe de foice pôr a
questão sobre a parcimoniosa escolha referida, sempre do mesmo sinal,
salientando-se enfaticamente a presença de ex-governantes do PS, igualmente solidários
com as políticas que conduziram à actual situação sócio-económico-financeira
dos portugueses. Ora, depois da desonestidade intelectual dos governantes, com
uso e abuso sistemático da mentira, da crítica soez, em particular, depois das
eleições de 4 de Outubro nas quais a direita perdeu a maioria parlamentar
absoluta que lhe permitiu cegamente impôr, durante 4 anos, todas as
malfeitorias à maioria dos cidadãos e cidadãs, perdeu deputados, perdeu
eleitorado, o PS, através do seu secretário geral António Costa, decidiu romper
os acordos com o PPD (por coerência com a sua prática ultraliberal, já que de
PSD nada tem) e CDS, em rutura com a prossecução das políticas de
empobrecimento dos portugueses, de redução das prestações sociais, de
destruição do SNS, de desinvestimento na escola publica, em benefício do sector
privado, no desprezo pela cultura, pondo acima de tudo a protecção da minoria
DDT.
Entretanto, o PS ao entabular
conversações com a coligação PàF verificou estupefacto a arrogância dos seus
representantes que pretendiam impôr a continuidade da sua política, como se não
tivesse ocorrido a mudança substancial com as eleições em 4 de Outubro.
Nestas circunstâncias, o PS
iniciou contactos com os outros partidos de esquerda, na procura de uma
alternativa político.ideológica à da direita e, após laboriosas negociações com
o beneplácito dos respectivos orgãos de cúpula, acordaram na
sustentação de um governo, liderado pelo PS, para uma legislatura e,
eventualmente, seguintes, legitimado pela maioria parlamentar absoluta, isto é,
claramente sufragada pelos eleitores.
Perante a situação desenhada,
caíu o Carmo e a Trindade, aqui d’el rei que aí vem a esquerda com o espírito
cavernícula salazarento que se esperava ter sido banido, de vez, com o 25 de
Abril de 1974. O desnorte, o desespero, o pavor, apossou-se de toda a direita e
seus apaniguados, que de cabeça perdida, tiveram como ultima investida
anti-democrática a defesa de uma revisão constitucional à la carte, insultando
a maioria dos eleitores portugueses representados no Parlamento saído das
eleições de 4 de Outubro, com o persistente e intenso apoio da direcção de
informação da RTP/RTP.
Será que o pavor destemperado da direita está relacionado com algo escondido?
Neste momento, espera-se que,
finalmente, o Presidente da Republica indigite como primeiro ministro o Dr.
António Costa e que se entre em normalidade estatutária, com um governo de
esquerda, para bem de todos os portugueses e de Portugal.